Luís Figo diz que continua a guiar-se pela vontade de ganhar. Aos 36 anos, o português que ainda este domingo foi fundamental na louca reviravolta do Inter frente à Roma (3-3) revisita a sua carreira, garantindo que ainda sente uma forte ligação com o Barcelona e é pelos catalães que torce na Liga espanhola, apesar de ser sócio do Real Madrid. Também fala dos treinadores que conheceu, de Cruijjf a Mourinho, e deixa um conselho a Cristiano Ronaldo.

«O importante é ter vontade de continuar a ganhar. Por isso vim para o Inter há três anos. Porque queria jogar e no Madrid não me deixavam fazê-lo. Além disso, havia o desafio de conseguir títulos com uma equipa que não ganhava há 16 anos», conta Figo, em entrevista ao jornal espanhol «El Pais».

«O que não me passava pela cabeça era ficar sem jogar e Florentino [anterior presidente do Real Madrid] não queria que eu jogasse. Podia ficar a ganhar o salário. Mas eu não sou assim», garante, para explicar mais à frente: «A essência do meu futebol é a competitividade, ganhar. Nada compensa mais que ganhar. Não concebo outra coisa. Continuo com o mesmo mau feitio se não jogo ou não ganho. Os meus companheiros dizem que são manias de velho...»

Figo mostra-se crítico sobre Florentino Perez, o homem que o levou do Barça para o Real, numa transferência que foi recorde mundial e das mais polémicas de sempre: «Fez coisas muito boas, até que se meteu no que não sabe, em questões técnicas. Quando alguém acha que sabe tudo, comete erros.»

Depois, volta aos motivos para a sua saída do Barça. «No Barcelona, no Madrid, no Inter... Se não te sentes reconhecido, sais», afirma, fazendo mea culpa pela forma como tudo aconteceu: «Assumo a minha culpa e responsabilidade. Foi uma resposta à forma como estavam a jogar comigo. O meu único erro foi uma entrevista em que disse que não saía [ao jornal Sport].

Depois, Figo garante que voltará a Barcelona. «Quando deixar o futebol vou viver para Espanha e voltarei a visitar Barcelona, não duvide. Não sei se vão pedir-me autógrafos (risos), mas voltarei. Tenho a consciência tranquila», garante, antes de admitir que até torce mais pelo Barça do que pelo Real.

«Revejo-me no facto de ser uma equipa valente, assumir riscos. É a minha filosofia de futebol. O futebol é isso: assumir o risco. O futebol é dos valentes. Adoraria que se desse bem e ganhasse títulos», garante. «Mas é sócio do Madrid», contrapõe o jornalista, ao que Figo responde: «Sim, mas primeiro os amigos. Há jogadores ali que conheci quando eram jovens.»

Figo é ainda questionado sobre os vários treinadores que conheceu em Espanha e, entre elogios a Cruijjf, Robson ou Del Bosque, reserva poucas palavras para Mourinho. «Esperava jogar mais, mas... Tem personalidade e conhecimentos», afirma.

A seguir, pedem-lhe para escolher entre Cristiano Ronaldo e Messi. «São diferentes O Messi parece-me maravilhoso. O Cristiano Ronaldo devia deixar o United e procurar novos desafios», recomenda Figo.

Para terminar, a opinião de Figo sobre a quantidade de extremos que Portugal produz. «É por imitação. Os jovens fixam-se nas pessoas que têm mais prestígio. Eu imitei Futre, Chalana, os mais espectaculares, que faziam fintas¿ Cresci a vê-los. Se tivéssemos tido um 9, um Van Basten, ter-me-ia fixado nele. Depois apareceram o Simão, o Quaresma...»

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