Cristiano Ronaldo não está satisfeito com todos os prémios que recebeu no último ano e espera ter, dentro de dois ou três anos, «mais uma Bota de Ouro, uma Bola de Ouro e, quem sabe, um prémio de melhor jogador do Mundo». Numa entrevista à RTP, o jogador recordou os pontos mais marcantes da sua carreira, desde os primeiros passos no Andorinha, passando pelo Sporting até à actualidade no Manchester United.

A entrevista, conduzida por Judite de Sousa, decorreu em casa do jogador, em Manchester, com os principais troféus conquistados pelo jogador nos últimos tempos como cenário de fundo. «Sempre tive ambição, sempre cresci a pensar que queria ser alguém no futebol. Tinha talento, jeito para a bola e, desde os 16 aos 18, foi tudo muito rápido. Tive a sorte de ter pessoas a aconselharam-me bem. Tudo começou no Andorinha, foi aí que tudo se proporcionou», começou por destacar numa longa conversa em que passou a pente fino toda a sua carreira.

O jogador lembrou os tempos difíceis que significou a passagem do Funchal para Lisboa, aos 11 anos, até aos tempos em que viveu na pensão D. José, nos Restauradores. «Era quase uma língua diferente, falava à madeirense, e quando somos crianças é tudo mais complicado. Vivíamos todos juntos, só rapazes. Foi difícil, deixar a família. Lembro-me de chorar e cheguei a pensar em desistir porque as saudades apertavam», contou, não esquecendo também o seu primeiro ordenado, ainda nos infantis: «dez contos, mas pagavam-me os livros da escola e tudo».

Do Sporting ao Manchester, foi mais um passo, mas ao contrário do que muita gente pensa, o acordo com o clube de Old Trafford já estava definido antes do seu último jogo pelo Sporting, o primeiro no novo estádio dos leões, precisamente frente ao Manchester United. «Já tinha acordo com o Manchester antes do jogo. Há muitas pessoas que acham que foi devido ao jogo que fiz com o Manchester, mas não foi. Já estava tudo determinado. Já sabíamos todos o que queríamos, o Manchester e eu. Já me tinham observado muitas vezes, já sabiam o que estava ali», recordou.

Voltando à actualidade, o jogador garante que está feliz em Manchester e, para já, não pensa em sair. «Acho que aqui é minha casa. Pelo que conquistei, pelas amizades, pelos adeptos, sempre fui muito acarinhado. Sinto-me em casa, é um ciclo muito bonito da minha carreira, tanto pelo treinador, que sempre me apoiou bastante, como pelos jogadores, sinto que faço parte a mobília do Manchester. Não sei o que vai acontecer amanhã, mas estou muito feliz aqui», reforçou, passando por cima do «sonho» de jogar no Real Madrid. «Tudo o que gira à volta do Cristiano Ronaldo é um pouco de especulação. Tudo o que faço gera um certo interesse da imprensa e da sociedade», acrescentou.

Quanto à Selecção Nacional, Ronaldo acredita na qualificação para o Mundial-2010, apesar das contas estarem um pouco complicadas. «Tenho a esperança e a confiança que nos vamos apurar para o Mundial. Pelos jogadores que temos e pelo treinador que temos, acredito que vamos lá estar. Se pensarmos todos positivo, acho que é possível», referiu.

A fechar a entrevista, o jogador mostrou os troféus mais significativos que conquistou na última temporada. «Nem os contei, mas há espaço para ainda mais, Quero ganhar mais coisas. O que já ganhei é um incentivo, mas quero ganhar mais. Daqui a dois ou três anos quero ter mais uma Bota de Ouro, mais uma Bola de Ouro, e quem sabe, mais um prémio de melhor jogador do ano», comentou.

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