Ronaldo e Moutinho

Publicada por Webmaster | 9:16 da tarde | 0 comentários »

Cristiano Ronaldo passou metade das suas férias a dizer que gostava de ir para o Real Madrid. A afirmação é uma barbaridade, pois ele tem em vigor e perfeita legalidade um contrato que assinou livremente com o Manchester.

Acontece "apenas" que esse contrato não é tão milionário como o que lhe oferecem os espanhóis e, por isso, ele acha natural dizer publicamente que quer sair.

Seguindo este "bom exemplo", o sportinguista Moutinho, um jovem recém-chegado ao profissionalismo, maduro suficiente para ser capitão de equipa, também não quer ficar em Alvalade.

Como Ronaldo, ele tem um contrato em vigor, mas como Ronaldo ele acha que isso não é importante. Importantes são os milhares de libras à sua espera numa esquina de Liverpool. Desconhecem-se os passos seguintes, mas gente desta pode ter crises psicológicas, qualquer coisa a doer-lhes e a tolher-lhes a corrida, coisas que só passam quando os seus caprichos forem satisfeitos. Gente desta pode jogar muito bem futebol - como é o caso - mas não merece um pingo de respeito.

Ronaldo e Moutinho dirão que estão a defender os seus interesses. É certo. Também as prostitutas que vendem o seu corpo estão a defender os seus interesses. Às vezes, até o fazem com pingos de dignidade. Mas nem assim são um bom exemplo para os nossos filhos.

2 - A nível de Desporto, a Espanha vive uma fase de enorme euforia que os próximos Jogos Olímpicos deverão, aliás, confirmar.

Entre as Olimpíadas de Atenas de 2004 e as que vão arrancar em Pequim, os atletas espanhóis ganharam o "Tour" de França por três vezes, o "Giro" de Itália, uma vez, Roland Garros por quatro vezes e uma vez Wimbledon; têm cinco mundiais de motociclismo, viram Fernando Alonso sagrar-se campeão na Fórmula 1 por duas vezes e foram campões da Europa de basquetebol e de futebol. Junte-se-lhes, em disciplinas olímpicas, mais de 60 medalhas em campeonatos mundiais e mais de 100 em europeus e diga-se ainda que Nadal está à beira de ser o número um no ténis.

Os espanhóis dizem que tudo isto é fruto da democracia, de alterações profundas que a democracia e a integração europeia trouxeram: mais e melhor saúde, mais investimento externo, melhor preparação dos treinadores, investimento sério e continuado em estruturas desportivas, acesso permanente a estatísticas que ajudam a compreender as coisas. Dizia ontem "El Pais" que os espanhóis de hoje medem mais sete centímetros que durante a ditadura.

Enfim, nós portugueses, estamos aqui mesmo ao lado, saímos da ditadura e entrámos na Europa lado a lado e, pelos vistos, crescemos pouco. Tão pouco que, infelizmente, ainda há quem pense que de Espanha "nem bom vento...".
Fonte: JN

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