Cristiano Ronaldo - Momentos

Publicada por Webmaster | 11:44 da manhã | 0 comentários »

A vida de Cristiano Ronaldo em livro. A obra do craque madeirense, que vai ser apresentada já no próximo sábado em Lisboa, no Hotel D. Pedro, entitula-se “Momentos” e promete constituir um verdadeiro "best seller", até porque ao estatuto de melhor do mundo, defendido já pela maior parte dos agentes desportivos, Cristiano Ronaldo é já também o futebolista mais mediático do mundo, de acordo com um estudo recentemente revelado por uma empresa espanhola. A obra, de 176 páginas, foi escrita pela jornalista Manuela Brandão e não pretende ser uma autobiografia do jogador do Manchester United, mas antes uma compilação de histórias vividas pelo jogador que, acima de tudo, exaltam a sua faceta humana. O livro foi produzido pela editora Ideias & Rumos, e é ilustrado com fotografias de Jorge Monteiro que, tal como Manuela Brandão, integram a equipa de Jorge Mendes, o empresário de Cristiano Ronaldo, na "Gestifute Media".
Bobby Charlton o lendário jogador britânico do Manchester United escreveu o prefácio, de uma obra que a própria Gestifute Media vem divulgando no seu site: www.gestifute.com. Aí, pode-se já ler alguns excertos relativos ao primeiro capítul, com Cristiano Ronaldo a contar, na própria pessoa, a sua passagem por Timor em 2005. A versão inglesa do livro será lançada dentro de pouco tempo e, em português, a obra estará já à venda esta semana, em todo o país.


Discurso directo

• «O avião tinha acabado de tocar o solo da pista do Aeroporto, em Díli [2005]. Espreitei pela janela e o que vi deixou-me boquiaberto. Uma pequena multidão aguardava, pacientemente, a minha chegada, com máquinas fotográficas ou câmaras de filmar numa mão e pedaços de papel em branco ou posters de boas-vindas na outra. (…) As ruas encheram-se de um mar de gente. (…) Emocionei-me. Fiquei impressionado com o interesse de todo aquele povo por mim.»
• «Fomos para o estádio. Presenciei algo como nunca tinha imaginado: mais de 20 mil pessoas à minha espera, a gritarem por mim. Senti uma grande emoção e, ao mesmo tempo, um pouco de receio. Mas Xanana Gusmão não estava a mentir: escoltou-me, vestiu ele próprio a pele de segurança e abriu caminho para eu passar (…). Os polícias, contagiados pela multidão, tiravam fotografias! (…) Quando chegou a minha vez de falar, agradeci, do fundo do coração, as honras de estado que tinha recebido, o carinho, o apoio, o amor que senti durante aquele memorável dia».
• «A minha professora do quinto ano também teria ficado surpreendida (…) E hoje não posso deixar de sorrir quando recordo a preocupação dela sempre que me via chegar à aula – algumas vezes atrasado... – com a bola na mão. “Ronaldo, larga a bola”, dizia uma e outra vez. “A bola não te vai dar de comer. Não faltes às aulas, porque a escola é que é importante para ti e não a bola, que não te vai dar nada na vida”. Estava a entrar no avião em Dili e lembrei-me destas suas palavras. A vida é uma caixinha de surpresas. (…) Mas hoje percebo-a. (…) Fez o seu papel de docente e foi um bom conselho, porque nunca se sabe o dia de amanhã. Eu é que nunca lhe dei ouvidos.»
• «Os mimos que dou à bola e o gosto por me entreter a fazer malabarismos são mais fortes do que eu. Fazia-o quando jogava na rua, continuei a fazê-lo ao longo de todo a minha formação e ainda o faço. E assim há-de continuar a ser. Porque esse é que é o verdadeiro Cristiano Ronaldo. Acredito que quando as pessoas me vêem no relvado a brincar com a bola, antes do início do período de aquecimento, possam ser tentadas a pensar que se trata de uma operação de charme ou de um acto exibicionista. Está enganado quem pensa assim»
• «As imagens que foram passando nas televisões sobre a tragédia do Tsunami ocorrido na Ásia deixaram-me horrorizado. (…) A Indonésia foi o país que mais sofreu com o desastre. Seis meses depois desta catástrofe, estive lá…»
• «Mesmo ainda a acordar da dor, a população recebeu-me com um sorriso e revelando um extraordinário carinho. Agradeci a Deus por, de alguma forma, ter contribuído para que, momentaneamente, se esquecessem da tragédia. Ri com as pessoas, incentivei-as, acarinhei-as. E elas retribuíram com os olhos brilhantes de esperança no futuro e a quererem acompanhar-me para todos os locais que ia visitar, fosse a pé, de autocarro ou de moto.»
• «Foi aqui, também, que se deu o meu reencontro com Martunis, o menino indonésio de sete anos, que sobreviveu sozinho ao Tsunami durante 19 dias. Passamos o dia juntos em Banda Aceh e, mais uma vez, senti-me atingido pelo seu olhar inocente, pela sua curiosidade, pela surpresa, pela admiração, sentimentos que não conseguiu esconder (…) .
• «Conversávamos por gestos e com a ajuda de uma tradutora. Mas ele é tão tímido que as palavras saíam-lhe a conta-gotas. Ele estava incrédulo a observar toda aquela agitação. Ofereci-lhe uma camisola. Também recebeu de presente um telemóvel. Pediu, imediatamente, o meu número e brincámos ali mesmo. Lado a lado, ligámos um para o outro e conversamos. Quer dizer, tentámos. Para ele tudo era novidade. Abri o meu computador e os olhos dele arregalaram-se muito, porque era a primeira vez que estava perante algo do género. Entusiasmou-se quando lhe mostrei algumas fotografias minhas e vídeos de jogos. O seu olhar brilhava com tanta novidade em tão pouco tempo. Quando a população local percebeu que estávamos juntos, então foi o delírio. Por causa dele. Ele é que era o herói e continua a sê-lo. Ele é que é um exemplo de coragem. (…) »
Autor: David Spranger
Fonte: Jornal da Madeira

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